A Rotina Tem Seus Encantos 2


“noite feia como água em pó”

 

minhas já raspas palavras átonas

ouvido surdo na realidade tônica

desconstruo o infinito que é cedo

quem sou eu? quem é você? nós?

 

eu finjo ser pobre ilimitado

para que você me dê limite

pense duas vezes por mim

porque não penso por você.

 

por mim você ou outra vez eu surdo

lençóis sobre planos sobressaltados

a outra com o colo falseado de tiros

feliz metade por te imaginar inteira.

 

bochechas secas no sebo do chicote

duro mas verdadeiro ainda que nada

da mãe conivente sobre a noite vazia

alheia ao vento enquanto a sorte dorme.

 

homens matam as aberrações que criam

a noite geme pelo fim da linha de fogo

e como se eu fosse o frio do teu ventre

castigo a noite com a minha constipação.

 

Leo Marona



Escrito por grupo desvio às 15h10
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Mattina - Giuseppe Ungaretti (1888-1970)

 

 

 

M’illumino

d’immenso

 

 

 

 

Ed è subito sera - Salvatore Quasimodo (1901-1968)

 

 

Ognuno sta solo sul cuor della terra

trafitto da un raggio di sole

Ed è subito sera.

 

(Cada um está só no coração da terra

transpassado por um raio de sol:

E de repente é noite.)

 

(tradução de Geraldo Holanda Cavalcanti)



Escrito por grupo desvio às 14h41
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“noves fora ou o inferno é um open bar” Leo Marona

uma língua árida e arbitrária

me lambe

bafo fétido de possibilidades

tiros falsos de festim, ou balas

saúdam

mais outro punhado de ídolos

à noite

idiotas cegos decoram cartilhas

que forçam

nosso próprio hipnotismo vago

um estilo de vida determinado

nos cobram

uma casa na montanha, filhos

amantes

mas pouco importa ver você em

pedaços

desde que haja ouvidos e proezas

e cospem na indiferença do vento

por deus

tirem daqui esse sujeito fedorento

desculpe

mas não sou eu quem mora longe

me ouça

é você quem pensa perto demais

e se você se sente um estrangeiro

espere só

até saber quem são os seres locais

espelhos

são rostos felizes, pupilas inúteis 

que sorriem

até verem que você não quer nada

então dizem: “não esperava nada

de você mesmo”

e você terá que engolir isso sozinho

agora

estou tão desprotegido que posso

ser só

apenas um fluxo temporário de mim

pessoas com poder exercem os cactos

pessoas

sem poder obedecem rostos e contam

rosários

há outras pessoas que não se curvam e

se matam

outras que não se curvam e te matam

eu sou uma curva escura numa estrada

iluminada

sem chance de terminar numa só reta

de fato

morrer numa guerra jamais havia

evitado

outras trincheiras lotadas de talvez

a questão toda sempre havia sido

a mesma:

quem manda e de quem é a vez

portanto

ficarei aqui dentro por enquanto

olhos

a salvo com minhas traças leais

amanhã nos veremos quem sabe

mortos

barcos invisíveis no vazio do cais.



Escrito por grupo desvio às 19h25
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Enviado por Ilka Miranda



Escrito por grupo desvio às 14h11
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Nunca vivi no campo. Tampouco lá passei, como outras pessoas, breves temporadas. Entretanto escrevi um poema no qual celebro o campo e digo que a ele se devem meus versos. Esse poema de pouco valor não é a coisa mais insincera que já se escreveu: é pura mentira.

Ocorre-me porém agora: trata-se verdadeiramente de insinceridade? Não mente sempre a arte? E não é quando mente mais que ela se revela mais criativa? Aqueles versos meus não eram um efeito da arte? (que não fossem bem logrados talvez não se devesse à falta de sinceridade; malogra-se muitas vezes sob o império de uma emoção sincera). No momento em que eu os escrevia não estava eu imbuído de sinceridade artística? Não imaginei então que era como se de fato tivesse vivido no campo?

 

Konstantinos Kaváfis, “Reflexões sobre poesia e ética”. Tradução: José Paulo Paes.

Enviado por João Duarte.



Escrito por grupo desvio às 13h55
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Eutro

 

A sua vida é uma dose equilibrada de boas surpresas e decepções, como se ele estivesse sempre na corda bamba.

A sua vida é bastante boa pra que ele continue tendo a esperança de que algum dia alguma coisa acontecerá, mas até aonde ele sabe quase nada aconteceu.

Ele é amado e ama, mas ele pode ser mais amado e amar mais. Ele tem que ser mais amado e amar mais pra poder continuar.

Ele não consegue continuar, mas ele continua. Ele não desiste, mas ele também não insiste. Ele continua.

Ele pensa em seu passado e conclui que não tem como saber como as coisas serão, e isto não o deixa inerte.

Ele não sabe o porquê dessa urgência de amar mais e ser mais amado (talvez ele seja apenas uma pessoa que não quer ficar sozinha).

A sua vida se mistura com a vida dos outros, sendo que ele não sabe onde é que a sua vida se distancia da dos outros. Ou se deve se distanciar.

A sua vida é uma dose equilibrada de confusão e clareza, como se ele estivesse sempre pra chegar, mas não chega.

 

Ricardo Pretti



Escrito por grupo desvio às 19h20
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Escrito por grupo desvio às 18h00
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O mundo

 

Ele, deitado na sua cama.

 

Pensando porque era que ele estava nesse mundo... Um certo momento de clareza que na verdade o confundia ainda mais. O sol já estava nascendo e os passarinhos cantando. Em pouco tempo um barulho infernal estaria invadindo o seu quarto. Era assim todos os dias, um após o outro. Como se os únicos momentos em que ele encontrava alguma paz de espírito, ou uma solidão necessária, o mundo e tudo que isso implica o invadia e acabava com qualquer esperança de algum dia ele se sentir bem consigo mesmo e com o resto das coisas que o cercavam.

 

Ele se lembrou então de uma mulher que ele havia conhecido certa vez em um bar. Ela era a barwoman. Ela era loira de cabelos lisos e curtos até os ombros. Um olhar desatento, mas certeiro quando se direcionava a você. A sua boca era grande e parecia ter sido feita sob medida para o seu sorriso. Era uma mulher que a única coisa que ela tinha para oferecer era a si mesma, com todas as qualidades e os defeitos de uma mulher que não tem vergonha ser quem ela é. Ele tinha logo percebido as olheiras profundas e por alguma razão ele quis beijá-las, as olheiras, e acaricia-las. Ela tinha uma pele branca e suave com a pele de um suvaco recém raspado. Ele se lembrou de ter pedido uma cerveja que ela não tinha cobrado. Talvez ela não tivesse cobrado porque ele estava sentado sozinho. Ou talvez ela tivesse simpatizado com o seu rosto. Era óbvio que ela era uma mulher sensível e simpática, provavelmente carinhosa.

 

A noite inteira ele sentou-se na frente dela e a observou. O seu andar era de uma graça, sim era. Uma mulher tão simples; e até comum. Tão linda na sua sabedoria. Como é que ela tinha olhado pra ele e sem perguntar nada o aceitara com um olhar tão sincero e acolhedor que nem o fim do mundo abalaria?

 

Ele se lembrou que os dois tinham se aceitado de uma maneira que só duas pessoas que não se conhecem teriam se aceitado. Era uma vantagem. Era honesto. Era o que faltava na vida de todos. Era o momento em que ele havia se sentido bem consigo mesmo. Era, talvez, o único momento da sua vida.

 

Era ele deitado na sua cama tentando se conformar com o que tinha acontecido com a sua vida.

 

Luiz Pretti



Escrito por grupo desvio às 19h17
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De Adão Nasce Eva:

Eva Desvirgina Adão

 

mulher, foi em você:

 

eu me descobri:

 

mulher em mim: você:

 

erótico: nua em mim

 

foi você em mim: Harmonia:

 

nua de mim: eu de você:

 

eu de mulher: em você:

 

(o falo canta melodia):

 

você por mim: eu em você:

 

Caos: de mim em você:

 

é tudo entrega: eu por você:

 

eu e você pela primeira vez:

 

sós

 

Ricardo Pretti



Escrito por grupo desvio às 17h47
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Todos conhecemos a música do Tom e a letra do Vinicius " agua de beber", porém mister se faz salientar que não se trata de qualquer agua e que há todo um enredo por trás dessa agua. Não obstante pareça simples à visão leiga, trata-se na verdade do foda-se e do pós foda-se. Partamos do dizer que agua de beber significa FODA-SE, vejamos: eu sempre tive uma certeza que só meu deu ingratidão, um belo dia percebi que era tudo babaquice e FODA-SE. A cada foda-se um porre, um porre de uísque, o melhor amigo do homem segundo o compositor, FODA-SE, aprendi mas errarei denovo até morrer posto que isso é viver.
 
Então, agora digo, água de beber e é o que faço agora, recusando-me a beber a agua de morrer, pois, na agua de beber encontro a resposta e a muleta para tudo e todos e sinto-me vivo com a agua de beber e motivo para continuar a sofrer. 
 
FODA-SE é a água da vida, a agua ardente, l'eau de vie, l'aqua vita e FODA-SE um copo atrás do outro serve de consolo e depois de adotar 2 ou 3 vezes, "agua de beber" como comportamento podemos imaginar e nos respaldar em Vinicius, o cachorro engarrafado nos diz a verdade. A única loira que não nos decepciona é o chopp e no caso de decepção "agua de beber" agua de beber.
 
 
Marcelo de Sá Pontes


Escrito por grupo desvio às 01h02
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"sol que arde feito peito com medo da carne"

 

"O esquadro disfarça o eclipse
que os homens não querem ver.
Não há música aparentemente
nos violinos fechados.
Apenas os recortes dos jornais diários
acenam para mim como o juízo final."

(Homenagem a Picasso, 1940-41,

de João Cabral de Melo Neto)

 

agora é manhã

tarde e sempre

que se amanhã

a noite se atrasa

se amanhã o mar

se amansa é que
enquanto há manhã
que se saiba manhã

há mar.

 

será o fim da velha fornalha

que me entorna de vésperas

na hora magra do perímetro
da paz tardia do dia da minha

derrota final para o rol do sol

que castiga feito papilas de sal

a despeito do que sinto dentro

do fosso oculto do teu centro:
pretensos braços rarefeitos
feitos de formol.
 
teu silêncio amarelo
meu elo
deflora meu cerne

teu gelo
abre passagem

e entra.

 

forja meus gritos com tua fibrose

tímida poeira em olhos de vidro

dívida de tripas com tua mentira

mágica celofane inútil que mata

depravada língua de fogo na pele

porque me aceita sem margem
pela janela.

 

mas meu peito tem um defeito:

é feito de carne e não de idéias.

 

a carne consome o tempo refeito

que passa em alarde e quem sabe

as idéias não ganham meu corpo

com gosto se gosto de ti do jeito

que és luz sol sem foco nem feixe

simples final vermelho que tendo

a cor da minha carne rançosa

sem demora tem também
seu fim.

 

mas meu peito tem um defeito:

é feito de carne e não de idéias.

 

assim como o sol que a manhã
anuncia meu cedo demais para
culpa sepulcro de fogo nos olhos
que aponta para a terra inculta
que agora me tarda a manhã
que arde como a carne que
(como a carne do meu peito)
nem sempre que se queima
é uma questão de escolha:
às vezes queima
de medo.

 

Leonardo Marona

Escrito por grupo desvio às 11h56
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carta aberta sobre as minhas intenções com o cinema

eu sei que eu sou jovem, mas eu já fiz mais de duas dúzias de vídeos (cinema) e portanto eu posso dizer que eu já errei bastante, e que agora eu já sei evitar alguns erros. mais de noventa por cento dos meus filmes (que eu fiz com o Luiz) são compostos de vontades genuínas, mas equivocadas, de vez em quando quase completamente equivocadas.

eu olho para o cinema brasileiro e vejo que tem muita coisa incompleta. o cinema novo está velho (Saraceni, Capovilla) ou morto (Glauber, Hirszman, Joaquim Pedro), já fez o que tinha que ser feito, chegou em um ponto final (por mais duro que isso possa parecer para os que continuam Vivos). O cinema marginal ainda continua marginal e os próprios cineastas não aceitam muito bem a filmografia do Sganzerla ou Candeias. Pra mim é como se o cinema "marginal" ainda não foi vivido, experenciado e mesmo assim já está velho (Candeias) ou morto (Sganzerla). o Bressane já não me interessa mais, me entedia a sua vontade de pegar personagens históricos e querer fazer um cinema à la Straub. o cinema pornochanchada tem uma ou outra coisa interessante, mas que hoje em dia não interessa a ninguém. a pornochanchada é muito mal feita pros padrões de hoje em dia. e agora a gente tem a retomada. retomada do quê? retomada de porra nenhuma. o que a gente tem agora é a tomada dos yuppies cheiradores de cocaína e publicitários que querem ir para os eua. e os cineastas que fogem à regra realizam um filme de ficção a cada quatro anos no brasil e ainda deve se considerar uma pessoa de muita sorte porque tem outras pessoas que tentaram e não conseguiram ou então consegue, mas demora mais de quatro pra conseguir filmar. Em suma, não quero me estender muito sobre o a "história" do cinema brasileiro, mas é bastante óbvio que tem uma coisa muito incompleta nesse nosso cinema brasileiro.

eu não sei qual é a importância do cinema. eu acho muito babaca essa vontade de pesar os valores: será que um cineasta tem mais valor que um advogado? ou mais valor que uma criança que precisa estudar? essas perguntas são ridículas e insanas.

eu queria escrever sobre as minhas intenções com o cinema, mas eu acabei me desviando do assunto, talvez porque não tem como eu fugir dessa merda que é querer fazer cinema de ficção no brasil. eu sei que eu posso fazer um filme muito bom, mas eu não consegui ainda, ou consegui, mas pela metade, ou consegui, mas de forma incompleta. eu não conheço, muito bem os profissionais de cinema no brasil, mas até onde eu vi é uma cambada de gente ignorante e sem paixão por cinema com exceção dos fotógrafos e um ou outro montador, e eu tenho certeza que eu não quero e não vou trabalhar com gente desse tipo nos meus filmes (se algum dia eu tiver dinheiro e poder pagar). eu prefiro usar a minha empregada antes de usar uma merdinha de "profissional" do cinema brasileiro. eu prefiro fazer filmes com a qualidade da pornochanchada.

mas eu vou continuar tentando fazer um bom filme, feito sem dinheiro e sem "profissionais, feito com amadores (no duplo sentido da palavra) e com mais liberdade. mas agora eu quero mais tempo, eu não quero filmar um longa em quatro dias como eu sempre fiz. eu quero ter calma pra ver se está tudo funcionado, se a idéia está correta. eu quero tempo pra poder colocar num filme o que eu sei que eu e o luiz podemos colocar num filme. eu não quero passar por cima de uma coisa que eu sei que está errada (coisa que já fiz no passado, principalmente com os atores, o que me faz um diretor de merda, porque eu não posso desistir dos atores antes que eles me dêem o que eles podem me dar). eu quero ir fundo na implicância de filmar um tema ou um plano. eu quero refinar a mise en scène. concluindo: eu quero realmente gostar do que eu estou filmando. não importa se é digital, se é sem dinheiro, se é imperfeito na qualidade técnica. o que importa é se eu e as pessoas comigo estão gostando de estar filmando. e numa equipe de cinema se não existe confiança, não existe nada. todo mundo tem que ter consciência do seu papel no filme: do diretor ao ator ao garoto que serve água. se eu não puder confiar no garoto que serve água e vice-versa fodeu, vai tudo por água abaixo. o cinema é uma arte que precisa dessa confiança como no teatro, entre dois atores é preciso ter confiança, senão não funciona, não dá certo, mesmo se forem dois grandes atores. e nesse sentido eu e o meu irmão tivemos sorte porque conseguimos trabalhar com pessoas que confiaram na gente e vice-versa, então eu sei o valor e a importância dessa confiança (o Fischer pra mim é um exemplo máximo disso porque normalmente o ator é muito egocêntrico e o fischer nunca se botou dessa maneira. esse clichê de que o ator tem que ser paparicado é uma merda criada por uma parte de "hollywood" e a televisão e não tem nada a ver com atores sérios como jean-pierre léaud ou john wayne).

Ricardo Pretti



Escrito por grupo desvio às 11h52
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Tese: "Se morrer, nesta vida, não é novo,
         Tampouco há novidade em estar vivo."

Antítese: "Nesta vida
                                   morrer não é difícil.
                   O difícil
                              é a vida e o seu ofício."

Síntese:



Escrito por grupo desvio às 18h17
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Palocci saiu do palácio
E Lula ficou de palhaço.
-------
Obviamente milhares já disseram o que está abaixo, mas sempre bom dize-lo à minha maneira.   
Eu vou votar nulo nas próximas eleições. Vou votar nulo porque, além de não acreditar mais em políticos, perdi as esperanças no sistema vigente. Acredito no Brasil, acredito no futuro, e se vocês quiserem saber, acredito até nessa nossa geração de alienados, da qual faço parte (principalmente se levado em conta o meu conhecimento sobre política, ao menos no stricto-sensu). Me venham com tudo, menos com aquele papo de que votar nulo é bobagem, desperdício. Acredito no voto nulo como uma expressão do ser, de uma parte da sociedade que quer mostrar sua completa insatisfação e indignação face a um governo que nos fode-e-sacode. Se é verdade que cada um tem de votar conforme a sua convicção, ou seja, conforme bem votaria se fosse o único eleitor habilitado - e portanto o decisivo - então voto nulo. Creio que já está na hora de desqualificarmos, mesmo que a passos pequenos e apenas indiciosos, o sistema que aí está, no qual os próprios deputados decidem sobre suas remunerações (com direito a samba no plenário da Câmara!!) no qual ser um jurista tem a ver com tudo menos humildade e justiça, e no qual um presidente, que já foi metalúrgico e sentiu a dureza na pele, tem de enganar um país inteiro, fazendo uma puta cara de babaca, munido das analogias mais picaretas e vazias. Com que moral um imbecil desses vai continuar presidindo o Brasil, após a suja queda do ministro que defendia com unhas e dentes? Evidentemente o problema não é um ex-metalúrgico ter alcançado em sua trajetória de vida o cargo de presidente, e em seguida cair na corrupa. Isso no fundo é previsível, me arrisco a dizer que ele talvez nem tivesse como resistir a isso: esse é o problema... É o nosso país funcionar conforme um mecanismo que possibilite esse tipo de merda, ou que possibilite esse tipo de merda COM TANTA FACILIDADE (melhor dizer assim, soa mais sagaz, garoto menos "offline"). Que porra é essa? Mas e aí? A gente tem que continuar vivendo? Tem que pagar as contas? Sustentar a família? Tem mesmo. Então vota nulo porra. Já é um pequeno passo. Na verdade, dizer que votar nulo é desperdício é precisamente acreditar que o ato de votar equivale a uma chance imperdível de escolher o “menos pior”, para depois sair em rodinhas de bar, trabalho, night, casa dos amigos, defendendo o seu votinho consciente que “fez o possível - agora passa a bola". Não adianta cagar bonito – ou o menos feio possível - se o vaso não tem descarga. Esse não é o possível. O possível aqui é não cagar. Não cague aqui. Se todos nós começarmos a cagar fora, todos ou alguns de nós irão começar a pensar em consertar esse imenso banheiro verde-amarelo. Votar é validar o sistema. Se você é medroso, preguiçoso ou alienado, porém um pouquinho sensato, bem vindo ao clube, me dê um abraço, e vote nulo. Se você não é nada disso, melhor ainda, me dê um abraço, e vote nulo. Se você realmente acredita que muita coisa vai mudar com o candidato que você pretende apoiar, me dê um abraço,  e parabéns. Agora, se você tá incomodado porque eu tô fazendo propaganda do “nulo”, então peço desculpas... E não deixe de me abraçar. É que eu sofro também, sabe? Política deve ser muito mais que um esquema quebrado e defasado de representatividade, deve ser mais que toda essa dinâmica de altares, todo esse cenário de bolas cantadas, falsos líderes e heróis decepcionantes. Falso modelo, falso equilíbrio, falsa harmonia, falsa democracia, falsa perspectiva de micro e de macro. Eu do meu lado estou treinando pra ser cantor de rock. Volta e meia lembro de uma frase que li há algum tempo no livro do Cazuza,  “Só as mães são felizes”, em uma parte dedicada a entrevistas com o cantor, em que ele falava muita merda – mas teve uma frase que achei do caralho: “politicamente, sou mais o John Lennon que o Chico Buarque”. Acho que precisamos entender e evidenciar a diferença entre inovação e renovação, entre política e politicagem. E acho que isso tudo começa mesmo é no escuro do quarto. Não montei uma ONG, nem tenho um projeto nacional na gaveta. Mas da minha janela tenho algumas idéias, suficientes para acreditar mais em mim do que nas novelinhas registradas pela imprensa, acreditar que a minha vida vale mesmo a pena e irá trazer alguma coisa positiva a meia dúzia de cidadãos, e que não preciso projetar a minha realização na (e nem me pautar conforme) vitória da seleção brasileira, na cassação de fulano, na candidatura de sicrano, ou no oscar ganho por beltrano. Precisamos explodir, ou implodir. Vou começar votando nulo, podem crer.
 
Sérgio Lohmann Couri


Escrito por grupo desvio às 14h59
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Receita em processo: como transformar a vida em cinema.

O ato de ver (a vida) consiste em saber escutar o extracampo. Escutar é uma ação musical: harmonia, melodia e ritmo e muito mais. A vida tem tudo isso e o cinema também (só que menos): um abismo de ações musicais que de alguma forma dramática se ordena (e é aí que entra a palavra e o seu poder de organizar e oprimir a realidade). O objetivo então é pegar a palavra que ordena esse abismo musical que é a vida e transformá-la em palavra poética. Esta palavra poética que é o cinema deve ficar de molho por alguns meses para que se transforme em  memória. Quando a memória estiver pronta aí deve-se pegar uma câmera e filmá-la em plano fixo por uns dez minutos até a memória se tornar momento. Depois que o plano estiver pronto deve-se temperar (a gosto) com uns pequenos toques de edição.

Ricardo Pretti



Escrito por grupo desvio às 18h19
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